sábado, julho 22, 2006

O MaioR Mês de Todos (1ª Parte)

O MaioR mês de todos. (1ª parte)

Dando uma olhadela rápida pela agenda, fácil era verificar que a mesma escasseava em espaços brancos por onde escrever qualquer nova tarefa a executar. Ainda a lidar com a ressaca proveniente do desgastante sarau da noite anterior, dava-se início ao verdadeiro enterro, edição 2006.

Um cartaz muito igual aos seus antecessores ou até mesmo aos seus homólogos espalhados pelas academias em geral pelo país fora. Dos cabeças de cartaz figuravam nomes como: Gabriel o Pensador, Pedro Abrunhosa, Quim Barreiros (e surpresas?) e a melhor banda nacional também conhecida por Moonspell.

Novamente o sábado brindaria a entrada na semana do Enterro, um excelente dia de sol patrocinava o boletim meteorológico e uma vontade de dar abertura à época balnear. O meio de deslocação teria que ser o transporte público, cedo se partiu e cedo se chegou à praia da Barra.

Presença habitual nas praias nortenhas, a Nortada fazia-se sentir embalando cabelos no quais se envolvia e por onde desenvolvia uma relação de proximidade capaz de provocar uma irritabilidade dérmica fruto dos arrepios que despontava.

Dos acessórios levados não faltaram as indispensáveis toalhas onde os corpos haveriam de repousar morbidamente, captando as cancerígenas radiações na ânsia que estas despontassem o melanoma que timidamente se resguarda nas células correspondentes.

Em local arenoso, o que também não poderia faltar era o esférico, o baralho de cartas e claro, o protector solar. Bom, havia de tudo à excepção deste último, as consequências reflectiram-se numa pigmentação avermelhada, bem aprazível ao olhar caso se tratasse de um espécimen leguminoso, caso do tomate ou do pimento.

Quanto à noite, figurava um nome maior no cartaz: Gabriel, o Pensador. À primeira, a ideia que talvez surja é que sendo um fim-de-semana, e representando o artista a vertente “hip-hop”, a chungaria dominaria todo o recinto académico. Mas antes de tudo isso, porque não começar pelo princípio…

Não tenho ideia de como terá começado a noite, lá vai o seu tempo, de todo o modo o percurso era o habitual, as rotundas estavam presentes e a pedir para serem contornadas, o recinto contudo era diferente dos anteriores. Se o pavilhão principal continuava a ser a grande atracção, no seu exterior algumas alteração foram incutidas e muito bem. Para além dos cubículos “sanitários” a Red Bull investira numa tenda em que para além da bebida à qual dá nome, um som electrónico atribuía um ambiente alternativo ao palco onde actuavam as bandas.

Não sendo a única inovação outras se fizeram no campo do entretenimento insuflável, desde matraquilhos humanos a vulcões, a touros mecânicos e amostras de gladiadores com cotonetes gigantes. No pavilhão pouco a destacar a não ser uma melhor organização das barraquinhas responsáveis pela manutenção dos níveis de boa disposição da classe estudantil.

De forma a resumir, ao contrário da anterior narração, apenas me cingirei às performances dos artistas e não às noites no seu todo já que dada a data que nos distancia do evento os pormenores passam um bocado ao lado.

Como referido a primeira noite era liderada por aquele que seria o maior artista internacional a listar no cartaz de toda a semana, antes actuaria o Bob Marley angolano Prince Wadada, no fundo era o Mantorras do reggae lá da zona. Marca a tradição que um concerto deste género seja caracterizado pelo ambiente descontraído, pausado e que o ritmo se centre na flexão do joelho de não mais que 7 ou 8 graus de maneira a que se evitem lesões a nível do reumático. Gabriel, o Pensador (assim se auto-intitula) deu entrada em palco em grande estilo com uma música muito conhecida, não para mim porque nem sequer me lembro qual foi, mas tenho a certeza que para muita gente que lá estava presente. O grande destaque da actuação vai naturalmente para o momento em que o senhor decide insultar a mãe de todos os presentes repetidamente durante uns 4 ou 5 minutos, o público não satisfeito decidiu colaborar com a onda insultuosa e retribuiu o favor ao senhor. Tirando isto só talvez a altura em que o artista fez questão de exibir o belo exemplar feminino com que se fazia acompanhar e com o qual mantém uma relação marital.

O final da noite ficou marcado pela presença de ursos a circular em motociclos exibindo tangas de leopardo.

O Domingo enquanto sagrado dia que é haveria de ser respeitado no que ao não fazer nenhum diz respeito. Se o trabalho exige arte e engenho muito mais o exige o oposto. Mestre em fazer dos momentos que poderiam ser passado em ociosas actividades em autênticos vazios activos, por uma vez mais dediquei o tempo disponível a absolutamente nada que de interessante tenha seja para quem for.

Nem só de nada vive o homem, por vezes é necessário o indivíduo levantar-se da cama mesmo que sejam 10 horas da noite e fazer valer os investimentos em que se envolve. Dos quarenta euros dispendidos não se iriam desperdiçar meia dúzia deles e faltar a um evento que por pouco apelativo que fosse, não deixava de constar no programa festivo.

Pedro Abrunhosa era o grande destaque musical, entretanto alguém estaria em palco a fazer qualquer coisa, não faço ideia quem, o quê e muito menos porquê, até porque a minha presença fez-se sentir no exterior junto à acolhedora tenda Red Bull. Um som que apesar de não fazer parte do leque das minhas preferências encaixava perfeitamente no espírito da noite, o ambiente era agradável e seguia a bom ritmo até ser interrompido por um francamente mal dissimulado problema técnico. A verdade é que as pessoas acercavam-se cada vez mais daquele espaço alternativo e deixavam Abrunhosa ao abandono e a declamar poemas para meia dúzia de parolos. Felizmente alguém se lembrou de cortar o som do espaço electrónico forçando a convergência do pessoal para junto do palco principal.

A primeira visão não foi muito agradável, calças de fato de treino brancas eram dispensáveis, justas mais ainda, uma t-shirt azul sem mangas também justa como não podia deixar de ser e um casaco à motard para completar o conjunto. Sim, os óculos “la mosca” style também lá estavam como de resto nunca deixaram de estar, sendo uma das imagens de marca do artista.

O nível musical tende a agradar mais ao público feminino que propriamente ao masculino, não que isso se fizesse notar nos presentes já que se encontravam em número muito equilibrado o que me parece compreensível na medida em que elas iam ver o senhor Abrunhosa e eles iam à procura das que iam ver o senhor Abrunhosa.

Dissertemos sobre o indivíduo que busca fêmea em concertos de música de cantores folclóricos. A princípio pode parecer só mais um freguês de camisa listada, primeiro botão (em caso extremo de tentativa de sedução dois) aberto, enverga a cruz ao peito demonstrando a fé que tem no engate, usa calça de ganga passada a ferro pela mãe já que as mãos tem-nas ocupadas a passar o gel pela mona. As características comportamentais essenciais prendem-se com o involuntário levantar de golas, o pedir garrafas de água com gás aromatizadas e invariavelmente repetir a expressão “posso-te conhecer?” aquando do primeiro contacto com o sexo oposto.

Depois deste pequeno momento BBC, permitam que me situe naquele espaço, que é como quem diz, estava totalmente perdido. Confesso que já vi o homem na televisão umas quantas vezes, até tive a oportunidade de o ver ao vivo outrora, no entanto, chegava a ser ridículo o facto de todo o mundo, à excepção de eu próprio, conhecer as letras das canções todas. Agora que reparo nisso retiro uma conclusão um tanto desagradável, se não estava lá pela música talvez seja apenas mais um dos… pelo menos não uso calças de ganga.

A noite é provável que tenha terminado da melhor maneira, visto que eu não faço qualquer ideia do final da mesma mas para todos os efeitos ainda aqui estou logo é sinal que nada de mais se passou. Esta é apenas a primeira parte do extenso material que está para ser escrito relativamente ao mês de Maio, espera-se ainda o resto do enterro em Aveiro mais idas a Coimbra, Porto e Braga, terminando no Super Bock Super Bock, espero durar o tempo suficiente para escrever tudo isto.

Um bem haja.

sábado, maio 13, 2006

Dissertações frustradas.


Em tempos de lides académicas animadas, surgem tarefas que aprazem mais a gregos que a troianos por certo, todavia eu pertenço mais à secção reservada aos imigrantes de leste.

Da tradição reza que a semana do enterro é inaugurada com um sarau cultural destinado a apresentações, danças, encenações, cantorias ou somente discursos da treta. Redireccionados para este último, a CPQNTMQFSIDPA (Comissão de Pessoal Que Não Tem Mais Que Fazer Senão Inventar Desculpas Para Apanhar Bebedeiras) de pronto requereu marcação de um encontro que mais não servisse que para elaborar um documento de cariz satírico de forma a inteirar e quiçá até mesmo conquistar a competição integrada na taça UA.

O concílio estudantil fora uma realidade. Não mais que uma dúzia de elementos se reuniram ao longo de uma fileira de mesas dispostas horizontalmente num local que ainda que recatado não deixava de ser público. Copos, canecas, garrafas, jarrões, mais do que meras decorações estavam lá, não só para satisfazer o gosto dos presentes, como também para impulsionar e suportar todo o projecto. Nem só de líquidos se fez o convívio, por entre vegetais, cereais e outros mais, de preparados com nacionalidade gaulesa de tamanho reduzido predominavam as escolhas dos esfomeados.

Optou-se por, ao invés de produzir um discurso de tom formal, produzir um de tom irónico e lúdico, nunca esquecendo a vertente critica. Para dar cara a essa mesma história um herói foi criado: Sem Pescoço. Da história de Sem Pescoço vincaria o facto de ser apenas mais um pobre desgraçado, um pobre desgraçado vítima da sociedade e dos seus actos.

As palavras com dificuldade iam fluindo, enquanto se enchiam estômagos e esvaziavam os recipientes que acolhiam as bebidas, ideias iam sendo lançadas na expectativa de que algo se aproveitasse para a tal escritura. Entre aventuras e desventuras o pobre catraio alternou entre conversas “gregóricas”, esperas desesperantes, negócios de teor carnal o que só poderia terminar mal, convergindo para o insucesso profissional e pessoal do personagem.

Cerca de dois pares de horas e 4 milhões de neurónios depois, finalmente dávamos por concluída a nossa tarefa. Relidas que estavam as páginas, sorrisos se estamparam nas faces dos seus autores. Toda uma aura positiva circundava aquelas palavras, toda uma confiança parecia colocar antecipadamente aquela composição por entre as vencedoras, toda uma certeza garantia que pelo menos um bom trabalho fora realizado e a não eleição carregaria todo um sentimento de injustiça.

Dias antes do anunciado sarau, o resultado fora afixado, de acordo com as profecias exaltava por entre os ilustres o nome de Ambiente, o seu orador: Marco Paulo (assim o insistem mesmo não me identificando como tal). Um misto de ansiedade e nervosismo me invadira. Por um lado o conforto de pelo menos figurarmos por entre os 5 melhores, por outro a responsabilidade de elevar ao mais alto nível o nome do curso.

Pouco mais que 24 horas seria o tempo de preparação, pouco mais que uma página o que haveria a dizer, pouco mais que 5 minutos todo o espectáculo. Limitados reconheço que são os meus dotes dedicados à representação, limitada também é a minha experiência nesse campo, no entanto, decidi apoiar-me no indivíduo a quem devo mais respeito: eu próprio. De fronte para o espelho proferi, em voz alta e pela primeira vez, as marcantes palavras. De um jeito teatralmente forçado, dei por mim como que a recitar Shakespeare. A colocação vocal assemelhava-se à de um espanhol a pedir bacalhau com natas num tasco à beira mar, a respiração defeituosa dava ideia de que estaria a sofrer um ataque de asma.

Cedo desisti, pensei por breves momentos em somente subir ao palco e ler da forma mais instintiva possível, no entanto, recordei que não seria em nome pessoal que discursaria perante a plateia.

Não tardaram a passar as escassas horas que me separavam não do evento em si mas do dia do próprio. Novamente solitário, coloco um som de fundo que me conferisse um ritmo apropriado à leitura e recomecei o treino. Invariavelmente vacilava por entre o timbre fanhoso e o engasgo seguido de um ridículo e seco “gargalho”.

Cresce a ansiedade, cresce o nervosismo e juntamente cresce também o desespero. O jantar estava marcado por volta das 19 horas, cerca de 90 minutos antes do início das cerimónias. Apressadamente visto o traje oficial representativo da academia, engraxo os sapatos, ajeito a gravata e coloco-me em marcha qual pinguim em frenético deslize por gelada montanha.

A tropa ainda preparava o tacho e como tal o vazio que se instalara propagou-se, conduzindo a uma elevada produção de adrenalina, responsável directo pela perda de apetite e aumento de secura considerável. Impaciente, irrequieto e por fim algo desapontado pela amostra de local com que me havia confrontado. Esperando iluminação especialmente montada para o efeito, bancadas coloridas de forma a alegrar um pouco mais a área, um púlpito onde poderia colocar a cabulazinha e quiçá uma garrafinha de água, enfim um cenário oposto com o que me deparei.

Das desocupadas e cinzentas bancadas, ao negro e tenso ambiente, apenas simples microfones se revelavam úteis naquele tenebroso palco, dos importantes da cidade ou até somente da universidade não se lhes ouviam simples murmúrios, ninguém estava lá. Ninguém, se quisermos adoptar uma postura altiva, já que vários grupos culturais marcavam presença, bem como os meus homólogos oradores e outros que me acompanhavam no sentido de me incentivar.

O alinhamento estava definido, a minha actuação situar-se-ia algures pela bissectriz do programa geral. Com o tempo de sobra aproveitei para amplificar o nervosismo a um nível quase extremo que, não me levando em tempo algum a ponderar desistências, serviu para humedecer a roupa interior com algumas pinguinhas.

Analisando que ia os discursos dos meus “concorrentes”, verifiquei que não era o único a não se sentir muito confortável com a situação. Avançava em direcção à lateral do imponente albergue consciente de que tudo o resto de nada valeria, apenas eu, uma folha de papel impressa e um microfone. Erigida sobre a escadaria, ostentando um sorriso, uma afável jovem também de igual modo denotava um brilho nos olhos revelador de algum receio.

De modo a quebrar um pouco o gelo partilhamos experiências no campo da escrita dos discursos, o tempo rolou de forma saudável até sermos interrompidos pelo momento de troca de artista. Desportivamente fluíram desejos de boa sorte de parte a parte e restou apenas a asfixiante espera.

A cançoneta entoada pela colega anunciava um fim próximo da sua performance, acerquei-me da abertura do acesso principal enquanto a mesma se despedia dando lugar aos apresentadores que me introduziriam sob o apelido de “Marco Paulo”. Entrei, fui brindado com o incentivo por parte destes, percorri o palanque, ajeitei o gabão devidamente acomodado no ombro esquerdo, confrontei a plateia, e em jeito de saudação elevei o braço onde acarretava as sábias palavras e contemplando o desmedido infinito vociferei em alta voz: “Caros amigos, não estou aqui para vos ler um discurso. Estou aqui para vos ler uma história”.

Co’a breca. Primeira frase e senti que me afundava rapidamente em areias pantanosas sem ter meio de alcançar lianas que me valessem salvação. Efectivamente não era o que pretendia ter dito mas havia que continuar. A estratégia de início definida teria que ser seguida, aquele mísero papel para não mais teria que servir que para me conduzir em momentos de aflição.

Os nervos vibravam a frequências detectáveis pelo comum radar submarino, e se não julgara que o começo fora bom, em pouco mais que 30 segundos surgiria a primeira “branca”. Um total apagão acompanhado por um tremido sorriso, poderiam ter sido o triste final daquela estranha experiência. Dominado pelo instinto, pois havia já muito que a razão me abandonara, alcanço o documento, procuro situar-me o mais rápido possível de modo a que possa retomar a caminhada e solto três gemidos que se confundem com pequenas gargalhadas.

Estava de volta, repescado das profundas areias alteio a cabeça e com uma falsa convicção tento disfarçar o que se havia passado. Imbuído do espírito artístico fui levado algures por entre sotaques beirões, improvisos relativamente bem sucedidos e no final uma agradável ovação por parte da audiência.

Abandonei aquele local com a sensação de que toneladas haviam sido retiradas de cima de mim, a ansiedade deu lugar a uma espécie de euforia que permaneceu por largas horas. As primeiras impressões foram muito positivas, em geral parecia que o desempenho não fora tão mau como o que me tinha parecido no momento.

De qualquer das formas restava apenas aguardar pelo resultado que sairia dias depois. Bem se esperou, o mesmo fui anunciado e o vencedor acabou por ser

terça-feira, abril 25, 2006

Flatulência refrescante

Um bem-haja ao caro leitor, após uma ligeira pausa nas remodelações do sector lateral, decidi, porque não, debitar um pouco mais de conteúdo do qual estou eu ciente, certamente fará alguém feliz.

Aproxima-se por uma vez mais um período marcado pela tradição académica. Em jeito de promessa e continuação, o diário da queima será novamente uma realidade, as parcerias foram refeitas e havendo vontade e energia, novos capítulos surgirão.

Em tempo de introspecções, prospecções ou simples reacções, antecipemos ou limitemo-nos a recordar acontecimentos. Faz não muito tempo todos soubemos, por imposição ou por tabela, dessa grande tragédia que foi a marca atingida pelo barril de crude nos 74 dólares com repercussão directa nas nossas gasolineiras, mas não é isso que me trás por cá. O choque e a devastação abateu-se sobre a erudita sociedade portuguesa, quando num mesmo dia em que 5 pessoas (entre as quais um bombeiro por exemplo) perdem a vida e dois eucaliptos são brutalmente atingidos, o grande destaque informativo vai no sentido de alguém que era importante porque aparecia na televisão.

Desde cedo que em mim se manifestaram problemas a nível respiratório, sem possibilidade de tratamentos dispendiosos, em noites de aflição lá estava ele, sob a forma de pequenas foices que emanavam miraculosos gases perfumados quando em contacto com água próxima do ponto de ebulição. Por certo nunca tomou qualquer papel de destaque em peças teatrais enquanto estudava, muito provavelmente porque seria estúpido ensinar um eucalipto a ler, ou então porque somente o eucalipto sempre foi ostracizado pela sociedade em geral.

O eucalipto é um animal que sobrevive em comunidades relativamente vastas, sendo dotado de uma grande capacidade de sucção, a sua capacidade de adaptação ao continente africano fora infrutífera, como tal, partiu à conquista, atravessou ali o Mediterrâneo e aterrou em Portugal à cerca de, eu diria 3 ou 4 semanas, mas os dados científicos certamente provarão que devem ser mais meia dúzia de dias.

Historicamente o eucalipto tem se destacado especialmente pela negativa. Se em Portugal lhe é apontado, entre outros, a desertificação alentejana, a falta de chuvas o ano passado e o elevado défice, por outro lado foi responsabilizado pelo lançamento de bombas atómicas em Hiroshima e Nagazaki e pelo dilúvio do qual apenas se salvou Moisés e um rebanho de cabras. Nem tudo é mau, de igual modo o eucalipto levou o Homem à lua, trouxe José Mourinho para o Porto e pintou o Michael Jackson de branco.

Demências à parte, até porque eu faço questão de não ler uma segunda vez, conclui-se pois então que isto não faz qualquer sentido, da mesma forma não o fez o mediatismo aplicado ao caso primeiro. O ferir de susceptibilidades, por muito que me dê ou não gozo, integra-se no sentido de que se deixem hipocrisias de lado. A realidade é a seguinte, as pessoas não se interessam por ninguém hoje em dia, e como tal, o porquê do choradio num caso em que apenas mantêm contacto por via electrónica?

Tenho bastante mais ligação ao principal lesado, não só pelo que referi, como pela vertente profissional a que estou conectado, daí que nada, a não ser a relação intra-especifica, me faz ter qualquer tipo de sentimento por um indivíduo que manifestou pura irresponsabilidade. Posso eventualmente desiludir alguém, felizmente não me importo com isso, daí que agradeço que não percam a próxima semana, pois a animação vai ser grande.


As remodelações vão prosseguir, a fluência criativa vai naturalmente a continuar a depender de correntes inspiradoras, daí que sem mais assunto de momento me despeço com aquele abraço,

sábado, abril 15, 2006

Vá para fora, mas vá agasalhado.

O título apesar de intrigante, é perfeitamente justificável, sendo eu um indivíduo com tempo livre que chegue para eventualmente iniciar uma colecção de caricas de garrafas de sumo de 1976 dou por mim sem qualquer gosto particular por caricas o que daí advém que eu vá ressuscitar um capítulo dos mais interessantes dos que por ventura haja por aí à espera de ser “capitulado”.

Longe vai o tempo em que a salga do bacalhau se fazia junto à fogueira e longo também é o tempo que demora a ir até Fátima a pé, mas o que importa é que reunidos esforços conjuntos de esforço, dedicação e glória, exaltamos a partir deste momento a saudosa ida ao enterro da gata (paz à sua alma) a Braga.

Uma quarta-feira como outra qualquer, mais um dia enublado, mas um sentimento de querer percorrer esse mundo fora, ver lugares e gentes novas e que melhor que coadunar tudo isso com o espirito académico, daí que impossibilitado de sair do país ( não que tivesse qualquer ordem do tribunal ) rumei rumo a um norte mais anortado cá no nosso cantinho.

Possuído pelo desejo, porém sem viagem programada, um telefonema bastou para tratar de todo e qualquer problema referente à mesma. Trajado a rigor prossigo confiante em direcção ao ponto de encontro, ligeiramente atrasado por certo, no entanto com a certeza de que tudo iria correr bem, senão quando uma simples pergunta despoletou todo um rol de contratempos a roçar o desagradável.

A natureza é cruel e como tal verificam-se situações que ao olhar indiscriminado do mais comum mortal podem parecer injustas, neste caso particular não tem nada a ver, de qualquer das formas determinados factores que por norma nos são extremamente úteis, facilmente se revelam os maiores inimigos, poderia estar a falar de prostitutas filipinas mas para o caso cinjo-me exclusivamente ao tempo.

Ora se meteorologicamente era aparentemente favorável, já fisicamente não poderíamos dizer o mesmo, que é como quem diz, se no quarto de hora próximo não estivéssemos metidos no comboio, bem que podíamos dizer adeus à querida gata e lá teríamos que esperar que enterrassem outro espécimen, pois Bracara Augusta decididamente não viria ter connosco.

Natural curioso que sou decidi questionar-me se de facto haveria razão para desesperarmos e em brusco gesto alcanço o bolso das calças e constato a ausência do meu parceiro móvel e anti-choque. Avançamos então a passo acelerado, sem hipótese de retorno e de rever colegas, amigos, parentes ou mesmo o aparelho telefónico. Ao tempo que se rompia o virgem couro da sola do sapato, em uníssono e em tom de protesto também a epiderme das extremidades inferiores se ressentiam, infligindo inadvertida dor no correspondente proprietário, eu próprio.

Capas por ventura, todavia nenhum dos envolvidos guarnecia de vassouras levitantes, cicatrizes na testa ou até mesmo simples óculos que disfarçassem eventual problemática óptica, como tal imaginários fantasiados por autor alheio de pouco serviam, ficamo-nos então pelo atleta luso-nigeriano saído de um qualquer local de construção civil, como modelo de inspiração ao sacrifício a que nos sujeitamos.

Velozes, determinados e mais importante que tudo a tempo de apanharmos o trem da felicidade. Passado o pior, era necessário recuperar o fôlego e como tal recostamo-nos junto à saída do comboio visto estar repleto. Sapatos, gravatas, casacos ou coletes, tudo incomodava e tive a oportunidade de verificar as primeiras mazelas que justificadamente provocavam um ardor incomodativo.

O primeiro ponto de chegada fora atingido e restavam 20 minutos até segunda largada. Um kit de primeiros socorros teria sido útil, mas na ausência de tal equipamento, simples lenços brancos, que por norma seriam revestidos por viral gosma “gripica”, teriam que funcionar quais pensos rápidos. Aplicados que estavam os curativos, prosseguimos até ao nosso real destino.

E porque sentado a pressão que se exerce sobre os pés não é tanta como isso, cedo comprovei que de facto os 20 minutos que perdera a tentar confortar os pés forrando-os com celulose vegetal branca, haviam sido inúteis, pois a dor contra-atacara mal a passada fora retomada. E se caminhando não era bonito, novamente a marcha adquirira ritmo acelerado em direcção ao tão bem fadado desfile.

Lá estavam eles, camiões decorados com enfeites diversamente coloridos, satíricas mensagens endereçadas a superiores, bonecos modelados de forma a transmitir um qualquer critico significado, nós porém, só lá estávamos pela cerveja e pelas meninas.

Um primeiro olhar, uma primeira impressão: estávamos no local certo. Milhares de pessoas preenchiam uma avenida de aspecto românico, romântico, rústico mas acolhedor. Era tempo pois então de prosseguir com o objectivo inicial, arranjar companhia. Identificados que estávamos com tão distintos uniformes, facilmente nos sentimos integrados ao visualizar uma dessas barraquinhas ambulantes que oferecem diversos tipos de serviços. O preço de início não agradou, mas provisória que era a situação e tendo em conta que a sede apertava, fomos levados pelo entusiasmo.

Começara pois então e como não estávamos lá para avaliar a quantidade gasosa presente no malte, percorremos o desfile em busca de faces familiares. Como quem tem boca vai a Carcavelos, íamos perguntando aos transeuntes por quem de facto procurávamos e em não mais que 10 minutos estava alcançado o veículo pertencente a “Engenharia Biomédica”. Tratamos imediatamente de aliviar alguma carga que não servia para mais que meros efeitos decorativos, em troca ofertaram-nos mais algum combustível, justo que chegue.

Mais à-vontade que estávamos, começamos a lavrar terreno no sentido de angariarmos a simpatia entre os conterrâneos ou outros simples forasteiros como nós. Música, um elo que une nações um pouco por todo o mundo, diferente não o era naquele recinto e vai daí após dois ou três passinhos de dança, surgiriam algumas interacções com a população local. Curiosas donas de casa abordar-me-iam com a questão da origem de muy nobre traje ao que eu amavelmente retorquiria naturalidade aveirense, vertente ambientalista, posto isto, confrontado sou com a inocência das amáveis e ingénuas criaturas pois inquiriram-me se iria retratar o meio detrítico bracarense. Imbuído de natural boa disposição gargalhei por breves momentos e esclareci, como de resto também o posso fazer neste momento, que não, o curso de facto não tem por objectivo primórdio arremessar os que o concluem para a SUMA, mas antes para serviços prestados em laboratórios ou secretárias.

De encontros e desencontros se fazem bons e maus momentos, e se por um lado estava num local totalmente desconhecido, nem por isso deixei de travar conhecimentos com rapaziada da terra do ovo mole. Entre chalaças e graçolas, o resultado naturalmente convergiu para que me perdesse dos meus companheiros. Ajuntando a isto o facto de não ter forma de os contactar, poder-se-ia eventualmente dizer que estaria em maus lençóis. Estaria mas não estive, felizmente que o orgulho tem aspectos positivos, e a prova disso mesmo eram as jaquetas exibidas que transmitiam em dourado as palavras mágicas referentes ao curso da amostra de engenheiro que eu procurava.

5/7 Minutos, o tempo necessário não só para o encontrar, como também para arranjar boleia até ao antro da perdição. Confortavelmente instalados em “puffs” e rodeados de esferovite, fazíamo-nos acompanhar por todo um rol de personagens, uns mais afáveis e risonhos, outros menos pedrados e/ou alcoolizados, etc.… De destacar a presença de Cristo, que não só teve a graciosidade de dispensar um cumprimento, como também de simultaneamente, num gesto demonstrativo de enorme proeza, enrolar substâncias ilícitas em plena auto-route.

Acampamos, discutiu-se brevemente o que haveria para ruminar pois de bandulho fragilizado tornar-se-ia mais complicado saborear os deleites nocturnos com que seríamos confrontados. Comida de plástico, como alguém um dia apelidara, alguém que certamente por padecer de colesterol elevado era obrigado a renunciar a um prazer e decidiu baptizar depreciativamente o agregado composto essencialmente por massas, molhos e todo um rol de ingredientes salutares ao paladar.

Do jantar não se fez apenas o prato principal, as entradas, compostas por caseiros enchidos em brasa assados e embebidos por álcool no seu mais puro estado, fizeram as serventias dos convidados que mais não lá estavam que para manter o equilíbrio ébrio aguardando ansiosamente a ida para o lúgubre local onde decorriam as cerimónias em devoção do padecido animal.

Refastelados e refeitos do efeito provocado pela larica, retomava-se a compostura e íamos finalmente dar de caras com o verdadeiro festim. Um luar tentava penetrar na nebulosidade que de resto assombrara também toda a tarde. Desbravando pelo desconhecido território íamos percorrendo a escuridão em direcção a nenhures, até que a agitação desvendou um amplo e lamacento baldio.

Barraquinhas, barracões, luz, música, cheiro intenso ao álcool, elementos que pareciam anunciar que era improvável que estivéssemos noutro local se não no que realmente pretendíamos. Pensei por momentos “e se não passar de um comício comunista?”, cedo dissipei todas as dúvidas pois apesar de pairar um odor, não identificado mas semelhante ao incenso, não se verificava aquela ligeira camada nebulosa, característica em eventos de cariz politicamente canhoto.

Decorriam várias actividades quando demos entrada no recinto, de salientar naturalmente Marante, líder nato dos Diapasão, que actuava no palco refugiado por detrás dos locais de consumo. Pouco ligamos, havia um assunto bem mais importante a tratar – o natural reconhecimento do terreno. O espaço era aberto, porém pouco vasto e em não mais que três minutos, se completavam voltas ao mesmo. Cansado e em angústia, causa directa da secura sentida, abancar era a palavra de ordem para retratar as chagas que se iam aprofundando.

Do outro lado eram dadas indicações, novo artista subiria ao palco. Juntamo-nos à restante comunidade e somos deleitados com a presença de 5 belos exemplares femininos que aparentemente, acompanhando belas coreografias, também cantavam. Triste o momento em que abandonaram o palco, uma solidão irrompe-se-me pela alma, o que conduziu a nova procura de companhia.

Quem tem amigos não falece em estabelecimentos prisionais, daí apelando ao meu lado social fui em busca dos mesmos. Emerso numa imensa multidão, naveguei por entre correntes até dar por mim em rodas tentando avistar algo. Não foi necessário, o alvo fui eu. Como que de assalto, trajado a rigor o individuo envolve-me num abraço heterossexual, perfumado por laços de amizade antigos. Socializamos com os demais presentes no limitado e próximo perímetro que traçamos.

Entre tudo isto passaram-se um bom punhado de horas, julgo que entretanto as ameaças tempestivas concretizaram-se por momentos, confesso que a escassa luminosidade que se sentia me trai neste apontamento, facto é que de novo o sol arrebitaria por entre as colinas e dava lugar a um novo e limpo dia. Toda aquela zona se revelava claramente pela primeira vez, e qual não é o meu espanto quando dou por mim junto aos meus companheiros de viagens curtas, mas urgentes. Sempre iguais, os Toy-toy mantinham uma discreta mas firme postura junto da periferia do recinto.

Tempo de despedida, de retorno, os moliceiros aguardavam-nos por entre os sinuosos canais algures entre a apanha do berbigão ou uma simples viagem turística. Partimos, não sem antes deixar marcas, recordações, ou outras futilidades que mais não serviam para mais tarde relembrar momentos, ocasiões. Demos início à marcha, longo seria o caminho a percorrer.

Um autêntico deserto, seria a mais perfeita descrição do que nos rodeava, não se sentia a presença de qualquer alma humana, apenas nós perseguidos pelos raios solares e um extenso rectilíneo curso pela frente. Seguimos, andamos, continuamos a seguir e a andar sem chegar a qualquer lado. Poderia ser uma metáfora mas era somente a realidade, onde quer que parássemos e a quem quer que perguntássemos a resposta era inevitavelmente sempre a mesma. Desanimados mas convictos, não desistimos de prosseguir no encalço da “besta de ferro”.

Demorou, muito ou se calhar nem tanto, mas haviam regressado as dores, as feridas e o cansaço ressentiam-se e estavam decididos a não facilitar o traçado que restava. Quais peregrinos que mantinham o esforço apesar do sacrifício, devotamente iamos em busca dum santuário que nos conferisse o repouso merecido.

Atempadamente se avista o salvador. O metálico monstro perecia adormecido aguardando a exactidão horária que o levaria a despertar e a galgar os mais que revisitados trilhos. Houve que antes comprar o ingresso, houve que antes esperar por um dos que connosco partira, houve que antes respirar fundo e tomar consciência de que o destino seria outro, tudo aquilo ficaria para trás, para, quem sabe, um dia mais tarde regressar.

Com mais ou menos dificuldade nos instalamos, com mais ou menos dificuldade transitamos de transporte, com mais ou menos dificuldade demos por nós de novo em terra e em direcção a casa.

De acções que não passam de simples memórias, perdurarão pelo menos, por estas e por outras páginas que virão, mais um relato, uma narração, uma história. Até que ponto será tudo isto verdade? Ninguém sabe, ninguém saberá, não é suposto ninguém saber. O que resta é deixarmo-nos levar pelo fantástico inerente a todas elas. Mais virão e, assim o espero, melhores.

terça-feira, março 14, 2006

Festividades Carnavalescas.

Entrados e saídos do Entrudo, aproveito a então oportunidade para dar parte da minha experiência e opinião pessoal relativamente a esta época, para uns feita de sambas e trajes menores, para outros máscaras e vestimentas satíricas ou somente personificações heróicas e parolas.

Não sendo grande a tradição foliar por terras de Cambra, o desejo de por cá permanecer durante este período era diminuto e portanto havia que arranjar forma de migrar para um outro qualquer local que nos garantisse farra até às tantas e com alguma qualidade. Reconhecida que é a fama ovarense, a tentação reclinava-se nesse sentido, pois por diversas e convergentes opiniões a decisão parecia ser a acertada. Lá diz o ditado que todos os caminhos vão dar a Ovar, no entanto, se forem feitos a pé, torna-se numa coisa desagradável.

E porque conduzir sem carta poderia conduzir-me a paragens menos desejadas, decidi, qual íman, colar ao primeiro que me pudesse guiar por entre brumas e vales até ao abençoado sambódromo. Digamos que o sucesso da missão foi a modos que nulo, o que me confinaria portanto a celebrações caseiras e mais em conta. Caseiras, mas não necessariamente por casa, visto que já que não se iria para fora aproveitar a ocasião de forma muito louca, poder-se-ia aproveitar de forma mais comedida na companhia dos conterrâneos.

Cedo se saiu, viram-se caras conhecidas porém a grande parte desmascarada, compreensível pois por si só na maioria figurava um semblante circense e deprimente quanto baste. Com o andar das horas foram surgindo os primeiros figurões e fui recomendado e tentado a aderir ao festim, recorrendo a um traje já uma vez envergado e com repercussões posteriores francamente positivas.

A rigor estava e apesar de distinto na multidão, a preocupação continuava a residir no destino final da noite. Após dois ou três minutos de um “parlapier” da treta finalmente se conseguiu convencer alguns portadores de viatura gentilmente cedida pelos progenitores, a conduzir-nos até ao epicentro da acção.

Acompanhados por uma banda sonora de qualidade pastilhada, chegados por nós demos por fim a Ovar. O facto de estar enfarpelado de acordo com a época, permitia que se desse azo a certas liberdades e tratei pois então de transmitir alguma cultura à demais população, quero eu com isto dizer que aproveitei para demonstrar pela primeira vez a dança do caranguejo. Pelo nome não será difícil desvendar como será, na prática não passa de um punhado de movimentos que resultam num ridículo espectáculo para quem tem o infortúnio de assistir.

Quando a imaginação é grande a coisas bonitas se tem a oportunidade de assistir e como tal, o ambiente que se vivia era extremamente festivo. Felizmente que grande parte dos presentes adoptara uma personalidade alternativa, vai daí que facilmente me senti integrado. Integrado porém com grande secura o que automaticamente levou à procura de um tasco para aliviar a urgente necessidade.

Descrevendo um pouco o local onde me encontrava, poderei começar eventualmente pela rua da felicidade, não por haver gente feliz, mas antes quem procurasse essa alegria nas tabernas que por ali se encontravam à disposição. Junto e erguida de forma imponente, uma tenda esbranquiçada albergava para além de muito gado, uns mini-bares, dj’s, material de som e luz, umas vergas de ferro que suportavam a estrutura, umas bases de madeira, balões, placares, bla bla. Do lado de fora ainda se era possível verificar a presença de um par dos míticos Toy-toy (ver diário da queima).

Estamos em Portugal e como não chegamos à Índia nem descobrimos o Brasil estando à espera em filas de amostras de casas de banho, tendo a não menos de 10 metros um rio semi-vazo, era vê-los aos pares, dezenas ou meias centenas todos de braguilha aberta aliviando-se de forma a que não se deixassem levar pelos ânimos e fossem arrastados pela corrente que lhes percorria pela frente.

Era tudo engraçado, as fatiotas, os arranjos, os casalinhos a condizer, os ursos, as crianças metidas de cabeça para baixo nos caixotes do lixo, enfim tudo menos um aspecto: o Nody. Ora aproveito para deixar o alerta, este pequeno boneco que às mentes mais distraídas mais não serve que para entreter miúdos de faixa etária reduzida, tem sim por via dissimulada atingir uma causa bem maior, a dominância mundial. Por todo o lado se viam petizes e graúdos assim vestidos, pareciam aqueles cogumelos selvagens que nascem à sombra das árvores, ninguém sabe como mas mal damos por eles e já lá estão meia dúzia, assim também o era com o exército de Nodies. Não passam do joelho talvez, mas ainda assim o colorido das vestimentas é irritante que chegue para levar ao desespero qualquer daltónico.

Prosseguindo os relatos que nem só de conspirações se fez a noite, constatei de ânimo entusiasmado a preferência feminina na representação de especímenes animais que se repercutiam em costumes agradavelmente reduzidos, numa palavra diria: festadaminisaia. Revisitado o ambiente, prosseguiu a noite com muita dançaria, algumas amistosas propostas para fotos conjuntas, muito abanão do capacete (literalmente), ingestões líquidas/sólidas, diálogos, monólogos, pensamentos, ilusões desiludidas, de tudo um pouco durante pouco mais de meias dúzias horárias.

Era tempo de volver à pátria-mãe com mais ou menos mazela, ficando contudo a certeza que aquela foi de facto a melhor opção, sem dúvida a requerer repetição numa futura edição.

Farewell ;-)

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Prosperidades inesperadas.

Naturalmente vou iniciar esta crónica com os desejos de um excelente ano para o caro leitor. Estava 2005 a dar as últimas, era portanto importante assinalar as despedidas desse que por larga vantagem venceu o título de “pior ano de sempre”. Poderia eventualmente enumerar as razões que promoveram à eleição do mesmo, mas julgo não ser necessário na medida em que uma mera leitura diagonal por este espaço cultural, será suficiente para permitir chegar a uma justificada conclusão.

Porque certas ocasiões exigem celebração, o desfecho do passado ano requeria algo em grande, por um lado porque iria dar lugar a um futuro que se deseja próspero, por outro lado para vingar o que se sucedera em congéneres festividades de começo de ano. Havia portanto que organizar tudo atempadamente para evitar repetir certos erros. Em cima da mesa foram colocadas diversas opções que estavam disponíveis e de entre as mesmas ressaltava de tudo um pouco, desde o ponderável ao razoável, do descartável ao resignável.

Trocando esta conversa toda por miúdos, peremptórios fomos em anular a opção tomada em 2004 ( com vista a 2005 ), tanto pela desagradável anterior experiência como pelo exorbitante valor praticado este ano, neste momento o ponto de situação era portanto -1. De seguida analisaram-se as opções locais, que não necessitassem grandes deslocações e de preferência que fossem o mais contidas no que toca a despesas. O tempo ia passando e em termos de resoluções práticas praticamente nada se decidia.

Após muito se debater, estávamos reduzidos a duas possíveis escolhas que, não variando muito no preço, variavam naturalmente naquilo que mais interessava, a companhia. Avançando uns dias na cronologia, pois de um largo período de reflexão se faz a história, encontramo-nos pois então em pleno dia 31, e para todos os efeitos havia sido tomada uma marcante decisão: 7º bar. O preço a rondar os 20€, amigos por lá perdidos, um ambiente familiar, pareceu ser o mais correcto.

Seriam por volta das 6 da tarde, quando os responsáveis pela organização do quimérico evento se reuniram no sentido de avançar com a preparação da munição para que o mesmo fosse um sucesso. O tempo avançava, faltariam pouco menos de duas horas e deu-se o encontro de todo o pelotão em território caseiro, tendo como anfitrião eu próprio.

Dava-se início pois então à melhor passagem de ano de sempre (ou pelo menos assim se desejava), e nada melhor que promover o desenvolvimento da liberdade criativa de cada um com o habitual suplemento, que acima de tudo nos proporciona companhia e alguma alegria, isto dentro das proporções adequadas.

Pela primeira vez e com alguma surpresa, contamos com o inexcedível glamour de uma companhia feminina, a convite do não menos surpreendente Cristo-rei que também acabaria por se superar à conta do seu robusto charme. Entre cantigas, canções, joguinhos, discussões, guitarradas e borrachões, não convinha esquecer o verdadeiro propósito da noite, saber quem venceria a 1ª. Companhia, aliás a entrada em 2006! Distraídos que estávamos em animada tertúlia, somos alertados por Júlia Pinheiro relativamente à falta de uns escassos 10 segundos para término da vil temporada.

10, 9, 8… e tratou-se de agarrar no espumante de elevada qualidade que nos fora ofertado pela mão de um dos presentes. 7, 6, 5… era retirado o invólucro prateado que reveste o complexo alumino-córtico. 4,3, … desarma-se a tenda que envolve a rolha, 2, 1, 0 E puff, eis que o borbulhante líquido verte para os insaciáveis copos e também um pouco para a carpete (consta, pois foi um facto nunca verificado) e como tal demos por nós, na companhia da TVI, entrados no novo ano. Brinde feito, passas nunca sob a forma de frutos secos, prosseguimos com o ambiente recreativo e didáctico até por volta da uma e meia da manhã. Chegara a hora de irmos desejar também um bom ano ao resto do mundo, de forma a celebrarmos da melhor maneira mais um recomeço.

Porque do desperdício não se faz a nossa maneira de ser, ao que restava da festança decidimos dar um novo destino, que nos seguisse fielmente durante a noite para que a mesma se fizesse por menos uns trocos. Ora nem todos atenderam, nem entenderam, o conceito de “durante a noite” e reduziram o mesmo a alguns minutos.

Muita luz, muita animação, garrafa na meia, bilhete na mão, e entusiasmo que chegue para o que desse e viesse. Porém há alturas na vida de um homem, em que as coisas perdem o seu real sabor, e como tal o real valor é subestimado em virtude do escorrimento com que a situação se vai desenvolvendo.

Fermentação um atentado ao equilíbrio. Assim poderia ser um hipotético título desta crónica, e talvez uma, ainda que medíocre explicação a determinado acontecimento, a fermentação neste caso não seria relativo à feitura da cerveja mas antes ao processo químico desenvolto na cavidade estomacal que para além de provocar a expulsão inadvertida do que previamente tinha sido consumido, também foi responsável pelo desequilíbrio mineral ocorrido a nível ósseo com reflexão consequente na postura envergada, e também por um saudável apagão no órgãos sensoriais responsáveis pela memória e pela dor, leigamente falando, foram relatadas eventuais situações menos dignificantes, que à falta de confirmação, não passam de simples blasfémias no sentido de conspurcar uma imagem já de si pouco iluminada, concretamente a minha.

Ora como nem só de figuras menos felizes reza a história, consta que a noite foi muito boa, as pessoas estavam felizes, a música era agradável, o ambiente era portanto de festa, e se por um lado uns como que jaziam na cama ainda antes do apogeu nocturno, outros não se fizeram rogados, e bem mais conscientes aproveitaram para gozar mais umas horas.

Foi melhor, não foi como previsto por certo, mas melhorou-se e como tal, e com base em mais uma experiência, todos crescemos mais um bocadinho, retiramos as devidas ilações e só resta mesmo desejar ( para além de um óptimo ano ) que no final se dignifique mais uma vez a nossa real capacidade para organizar passagens de ano.

Vemo-nos por aí. :D

segunda-feira, novembro 07, 2005

SICA XI - A Grande Batalha

Começava a ser escrito mais um capítulo na história universitária, velhos rivais encontravam-se e preparavam-se para mais um duro e viril embate mano-a-mano que durante eras tem vindo a provocar inúmeras baixas.

Biologia e Ambiente, um interesse em comum, a total aniquilação do adversário. Os senhores da guerra reuniram-se em terreno neutro incerto para debater os termos do durante e pós batalha, chegando a um consenso: granadas, minas, chicotes, navalhas, prisioneiros ou até mesmo violações eram permitidos mas em tempo algum poderia ser usada essa letal arma no combate ao crime: o ácido acético, vulgo vinagre.

As tropas foram convocadas, reunidas e informadas do teor da assembleia extraordinária que havia decorrido. Todos assentiram e puseram mãos à obra pois sabia-se que as forças do mal contavam com um número várias vezes superior de elementos à sua disposição.

Azuis, verdes, amarelos, brancos, vermelhos, roxos, S ou L, o arsenal recolhido estava pronto para ser equipado. Pólvora, pimenta, HCl, urânio empobrecido ou até mesmo o rubi vermelho foram recomendados pelos especialistas do ramo no sentido de provocar a total extinção da espécie “Bioshocus animalus”, no entanto ficamos-nos pela aguínha da torneira.

Semanas de treino, dias de prática, horas de estudo, tudo em prol do sucesso da operação prestes a executar. Momentos antes de tudo acontecer ultimavam-se preparativos no que diz respeito ao armamento.

Dezoito horas como marcado, eis que o exército ambientalista, após concentração prévia no quartel respectivo, avança em direcção ao campo de batalha, não sem antes passar junto àqueles pelos quais tanto anseavam.

Era tempo de dispor os bravos no terreno e incumbir a cada um específica tarefa, a qual urgia de precisão precisa, relembrando a desproporção face ao inimigo. Tratou-se de definir que face à clara desvantagem havia necessidade de sacrificar alguns dos soldados em nome de todo um curso, soldados esses que em amplas demonstrações de coragem penetrariam território pantanoso, selvático, quiçá arenoso, pelo menos assim reza a história, pois de heróis passados nunca o regresso fora realidade. Decidiu-se em tom irónico apelidá-los de “kamikazes”.

Mas o avançado treino ao qual os “ Patronus Ambientalis” se sujeitaram, não serviu apenas para os ditos “kamikazes”, deste sairam autênticas máquinas de guerra, sujeitos sedentos de sangue prontos para matar e cujo equipamento se cingia a uma bata branca e um par de luvas de latex (literalmente), a estes designamos por “para-médicos”, ou então os esquartejadores, indivíduos preparados pelos mais qualificados "sensei", mestres na arte de manejar "laminosas" , porém à falta de sabres, ficaram-se pelo semelhante a máquinas de sulfatar manuais.

Ora referidas que estão as equipas de intervenção da linha frente, há que homenagear a não menos corajosa equipa da retaguarda. Duas filas dispostas horizontalmente, devidamente espaçadas e munidas com o mais brutal equipamento de chacina. Dotados de uma mira nanométrica, usando uma simples fisga são capazes de acertar numa toupeira a 3 kilómetros de distância, estando de olhos tapados, de costas, mãos amarradas, a serem espancados, e a toupeira a uma profundidade de 100 ou 200 metros.

Ruidoso ruído reflectia-se no horizonte, pássaros irrequietavam-se e um pútrido e intenso odor invadia todo o recinto, alerta, a trupe ambientalista avistava os “bioshocus” acercarem-se do túmulo que os esperava. Grunhindo feminina e violentamente, encontravam-se entusiasmados e excitados confiantes na sua superioridade numérica.

Viveram-se minutos de extrema tensão entre as facções adversárias, o ambiente estava electrizante e eis que chegara o tão aguardado momento. Qual Frodo encarregue de levar o anel até à Montanha de Fogo, Sidónio ficara encarregue da ingrata tarefa de ter que expor o seu nalguedo à poluição e às radiações envolventes, neste caso não virado para meca mas sim para os alienados.

E assim começara, ainda antes que o sol brilhasse em rabo alheio reluzindo como Lua Cheia de Agosto, eis que os jovens suicidas velozes avançaram pelos flancos com nada mais que uma forte vontade de serem violentados ( e porventura violados ). Invadido que estava, era altura de fazer o reconhecimento ao local e começar a provocar o pânico e o terror entre as hostes residentes. Sangue, muito sangue e talvez um ou outro braço, jamais se pensara que os níveis de agressividade, horror, tragédia se elevassem de tal maneira, enquanto uns pensavam nas famílias, nos animais, no clube, lá continuavam eles, autenticas baratas tontas espezinhando minas levando com o fogo cruzado ou simplesmente sendo pontapeados, porém sem nunca mostrar sinais enfraquecimento ou descrédito na vitória.

Do outro lado, as coisas corriam bem melhor, partida que estava a ofensiva adversária, nada puderam contra a organizada defensiva que qual exército de D. João I em Aljubarrota e apesar de não aplicada a tática do quadrado, despachou as “bioshockas” como se de espanhois se tratassem.

Estava tudo muito perto do fim, se não quando um contra-tempo surge que poderia por em causa o sucesso de toda a operação, que poderia provocar um revés em toda aquela situação. Apesar de afixado, apesar de avisado e sobreavisado, apesar dos constantes lembretes antes e durante a Grande Guerra, é denunciado o uso do fruto proíbido. O cheiro não o desmentia, estavamos na presença do ácido acético. Um enorme reboliço gerou-se e as atenções não mais estavam concentradas em acções belicistas, pois mesmo essas já estavam mais que definidas ainda antes do início.

Os olhos. Não se sabendo de quem partira a agressão, não se sabendo como fora efectuada, apenas se sabendo o alvo atingido, os olhos. É obvio que o importante no meio disto tudo não era saber quem ou o que fora atingido, o importante é que um código de conduta e de ética havia sido desrespeitado. O reagrupamento dos pelotões e o acalmamento dos mesmos era uma necessidade. Cordialmente e de urgência os capitães de cada lado reuniram-se, discutiram sobre o assunto e concordaram sobre os vários erros cometidos ( nomeadamente dos biológicos em terem aparecido ).

Era tempo do regresso, haviam feridos e feridas a sarar, engessamentos, entalamentos, contusões, transplantes, transfusões, no meio de tanta confusão só uma certeza permanecera: 15-0 dirão uns, até os comemos dirão outros, o certo é que nada foi capaz de parar a armada ambientalista.

Regozijemos pois então mais uma vitória e enquanto isso ficaremos a aguardar por mais uma re-edição com promessa de uma vez mais renovarmos e mantermos o título de invencibilidade.

Intés...

sexta-feira, novembro 04, 2005

O recomeço...

Passada a época dedicada à lavoura, eis que regressamos ao que tanto nos deu que fazer e que no entanto tão pouco acabou por ser feito. Foram bons aqueles 29 dias de correrias atarefadas, mazelas físicas tudo isto acompanhado pela banda sonora composta por 9 ou 10 máquinas que carboravam qual orquestra a tocar a 9ª sinfonia de Beethoven.

Mas é necessário andar para a frente e como tal, mais recheada a conta a bancária, saradas as feridas e feita a matricula correspondente, dou por mim novamente no local do crime. Como qualquer criminoso que se preze, o regresso era previsível e inevitável. Um início marcado pela serenidade e sobriedade de duas ou três noites marcadas para relembrar momentos aureos por lá vividos.

O caloiro...

Bom, qual a melhor definição definição de caloiro? Uns por ventura dirão que é um animal sem sexo ou direitos, outros não o dirão porque se encontram nessa posição. Duma coisa estamos todos de acordo, só o somos uma vez na vida. Isto pelo menos em teoria, eu atribuiria o título de caloiro não ao número de matrículas mas antes ao estado de espírito exibido pelo indivíduo. A prova disso mesmo é a existência dos chamados caloiros infiltrados, gente que ou procura integração, ou gosta de se exibir ou tão simplesmente se diverte como tal. Duma coisa é certa todos temem a tão falada praxe.

Existem rituais esquisitos praticados por certos individuos que se julgam superiores a outros por alegadamente se vestirem de maneira diferente, não vamos falar dessa gente mas falemos antes da praxe. Ora a praxe e vamos a um bocado de história, remonta ao ano de 1765, provem do latim praxis que significa p=party, r=ramboia, a = amanda-te que se ela não quiser diz não, x=xii bebeu demais, i=ii outro que capotou e por fim s=s’alguem vir o meu tlm por ai que mo dê. Temos que na altura havia muito tempo livre e o alcool já então era uma realidade, daí que achou-se por bem arranjar mais uma desculpa para que se pudesse beber desenfreadamente até ao estado de espumescência oral, e porque não juntar a isto tudo alguma diversão.

Nem só de diversão vive o Homem e ao contrário do que muitos possam pensar a praxe propriamente dita nada tem a ver com a tradição académica e muito menos tem algo a ver com Coimbra.

Isaltino Arrolhos, tasquista valecambrense decidiu um dia emigrar indo parar a Oliveira de Azemeis (aí uns 8/9 kilómetros de distância ) e enquanto forasteiro teve necessidade de se integrar na comunidade. A principio as coisas não foram fáceis, principalmente a parte em que as crianças lhe davam pontapés e chamavam nomes, no entanto Isaltino estava mentalizado em cingrar no estrangeiro, senão quando, em glorioso dia depara-se com o que de facto lhe mantivera acesa a alma todo aquele tempo, uma tasca. Isaltino entrou confiante e cofiando o bigode mal tratado ( pontas espigadas, nao usava pantene pro-v ) eis que pede em voz alta “ É uma malga de tinto maduro!”, em região de vinho verde eis que todos olham para o balcão onde o destimido estranho acabara de fazer tal arrojado pedido. Os três indivíduos que se encontravam no estabelecimento levantaram-se e dirigiram-se de forma ameaçadora em direcção a Isaltino que em gesto repentino agarra na malga com a mão direita como se de uma arma se tratasse e ao elevá-la ao nível do buço é quase agredido pelos grunhidos disformes proferidos pelos conterrâneos que pareciam dizer algo como “ Mão direita, mão direita é penalty!”. Isaltino cedo percebeu o que tinha que fazer e inspirando fundo deu três corajosas goladas e matou o inimigo, que é como quem diz bebeu todo o conteúdo da malga. A malga era linda. Branca, com um padrão colorido semelhante à mais fina porcelana chinesa, umas manchas rosadas provavelmente pelo facto de estar mal lavada e umas inscrições que pareciam descrever o mais belo dos poemas mas que não era mais que um simples “ Made in Cortegaça”. Arregaçando a manga e pousando a malga, sorrira e dissera “ Consegui!”. Os 3 sujeitos curvaram-se, um deles exclamou “ Avé senhor” e o modesto novo herói apenas conseguiu dirigir um “obrigado” até porque de seguida os homens abandonaram o tasco deixando-no sozinho.

Isaltino sentia-se triste. Demasiado agressivo pensou ele, o certo é que se encontrava ali como que perdido numa terra desconhecida e rodeado por pessoas que nunca vira, o que era verdade mas como já estava embriagado, por momentos, esqueceu-se disso.

Bom.. acho que não era esta a história, de qualquer das formas também ninguém quer saber disso mesmo.

Cingindo-me à realidade que me circunda, deparamo-nos de facto com algo menos trágico e menos saloio. Existem os tascos, existem as malgas, mas existem sobretudo os ditos forasteiros e é sobre isso que vamos falar...

sábado, agosto 27, 2005

O maravilhoso mundo do Trabalho

Ora bom, após um rompimento com os patrocinadores, acabaram-se os fundos e como tal a emissão do diário da queima foi suspenso indefinidamente. É possível que um dia destes seja retomado, por ventura não significa necessariamente a continuação desta edição mas de uma futura. As minhas desculpas ao caro leitor ( não tive notícia ainda que seja mais que um e desconfio que seja eu próprio para verificar a presença de erros ortográficos).

Coisas alegres, hilariantes, ridículas, tempo a mais, alcool a menos, enfim um rol de características me levam a relatar o atribulado quotidiano de Pedro Almeida. Certo dia vira-se o Cristo para mim e diz-me “Meu... e que tal arranjares uma vida.” Percebi então mais tarde que não fora o Cristo mas sim um qualquer rebarbado com quem eu dialogava via um desses antros manhosos do ciber-espaço. Decidi acatar a opinião e pus mãos à obra.

The beginning.

A vida de artolas não é bonita nem tão pouco agradável, uns dirão que a culpa é da vadiagem outros possivelmente culparão o macaco, eu prefiro crer que é da sorte ( ou da falta dela).

Após quase ganhar o jackpot do Euromilhões ( ainda acertei num número ), após quase transitar de ano lectivo ( faltou-me o de sempre bocadinho assim |___| ), tive que me refazer e andar com a vida para a frente, daí que optei por ingressar no profissional mundo do trabalho. Não, não entrei para a prostituição, não por falta de aptidões do foro físico por certo, mas porque julgo que o mercado está saturado e eu não iria acrescentar nada de novo ( se bem que não fico mal de saltos altos, top rosa e saia de cabedal preta..), em vez disso aderi ao fascinamente mundo do embalamento. Não, também não falo em street xuning racer (se é que alguém mesmo consegue relacionar a palavra embalamento com velocidade para além de mim). Co-packing, assim é o designo técnico da actividade por mim, com a cooperação dos colegas de trabalho, desenvolvida.

A empresa.

Era eu uma criança, digamos até aos meus 10 anos julgo, e sempre fora feliz e de boas relações com os individuos responsáveis pela manutenção da então Colep. Faziam-se festinhas para os meninos, que devidamente acompanhados pelos “papás” lá iam receber prendinhas por alturas do Natal. Longe andava eu de pensar que algum dia o destino me pregaria uma rasteira e se nesses saudosos anos eu, petíz, curioso, desembrulhava aquelas caixas freneticamente na ânsia de verificar o seu interior, eis que se não passados quase 10 anos, dou por mim na mesma Colep ( na verdade ColepCCL para ser mais preciso na medida em que resulta da fusão com a empresa rival de mercado ) a enfiar (literalmente) material para dentro de caixas qual geek informático em práticas onanistas após meia hora sem ver pornografia na rede.

O trabalho propriamente dito.

Na prática poder-se-ia descrever de forma muito simples, mas julgo que tudo o que por lá se passa merece ser descrito com um lirismo bem mais complexo e perfumado que um simples “ o trabalho é uma merda.”.

Confesso alguma inaptidão da minha parte para tudo o que seja referente ao acto de... bem vistas as coisas de fazer seja o que for que requeira esforço mínimo, no entanto, sendo eu aquele mente aberta, uma espécie de escuteiro sem farda e sem o mítico fardo homossexual inerente, parti para a aventura disposto a encontrar de tudo.

As primeiras visões recordo-me regurgitam sentimentos tenebrosos, suores frios e suados, algumas pinguinhas na cueca, mas nada que não fosse ultrapassável. Lá estavam eles. Novos soldados, libertadores de uma pátria, ou simples jovens à procura de algum para estorrar em drogas, sexo ou sapatos.

Endereçados ao “matadouro” qual rebanho desorientado, eis que somos recebidos pelo “pastor” ( por acaso até era uma pastora ) pronta a mostrar-nos o local de pastagem, isto não sem antes recebermos uma aula de história, não com o professor José Hermano Saraiva, mas antes com uma qualquer personagem de bata branca.

Percorrido todo o espaço foi tempo de por as mão à obra. Vini, vidi, vinci que é como quem diz, cheguei lá e atiraram-me para um canto “ Agora espera aí se fazes o favor.”

Enquanto membro do já designado rebanho, aceitei as ordens e aguardei.

Eis que chega a tão temida hora (!), e pergunto-me eu sobre o modo de explicar isto de forma a que me faça entender. Imaginemos uma prova de ciclismo, talvez a volta a Portugal. Ora em qualquer corrida há um lider, o camisola amarela, e assim não foge muito numa linha de montagem só muda a designação ( chefe de linha ) e não precisa de andar de amarelo... Depois há o pelotão que corresponde naturalmente às restantes marionetas.

Por muito que o não pareça, o dito trabalho ( eu prefiro pensar que é escravatura remunerada ) não é linear e assim como a volta a Portugal tem os seus momentos:

- Fugas, de quando em vez um dos subordinados em acto de rebeldia decide acelerar o ritmo de produção qual Candido Barbosa a fugir de Sousa Pernamanca, por conseguinte sendo este pertencedor ao já referido pelotão;

- Perseguidores, naturalmente referindo as fugas há sempre um ou outro perseguidor, que é como quem diz destemidos e bravos trabalhadores que anseiam por uma eventual promoção ao tentar fazer mais que aquilo que por vezes é possível;

- Carro vassoura, carro é um termo exagerado, são mesmo paletes. O indivíduo responsável carrega com o material do fundo da linha para a palete e posteriormente quando completa e com o auxílio do porta-correspondente para o local pré-destinado;

- Público, é isso mesmo, tratando-se de um espectáculo ( falo da volta a Portugal ) tem naturalmente a sua audiência. Ora nós também o temos. De quando em vez lá aparece um forasteiro armado em bombeiro voluntário ( sem a mangueira ) e daí podemos ter: os que “sim” e os que “até era mas estou aqui com uma cãimbra e não me dá muito jeito”, ou seja, os que estão para o paleio e aqueles que intervêem. No fundo falo daquelas pessoas que gentilmente regam os ciclistas ou dão palmadinhas nas costas e empurram o ciclista em tempos difíceis ( muitas vezes levando a que estes caiam ). É precisamente deste tipo de gente que falo;

- Contra-relógios, neste caso não será igual na medida em que não há intra-competição, mas antes um adversário comum a todos, o próprio relógio. Por dia verificam-se 4 “provas” deste tipo, antes dos intervalos, antes da hora do tacho, e perto da hora de dar de frosques;

- A subida ao monte da Graça, pode não o ser sempre mas o momento alto do dia verifica-se ali após o re-abastecimento das tropas, por volta das 21 horas. De resto pode não se combater a inclinação do terreno, mas não o é mais fácil combater o regresso após meia-hora em repouso quase clínico já para não falar das intempéries provocadas pelos industriais aparelhos de ar-condicionado.

- O pódio, de facto não existe, se bem que há por lá material com qualidade suficiente para ir entregar flores e garrafas de champanhe.

Dá para ver portanto tal a azáfama que por lá se orienta. Há coisas que não são bonitas de se ver é certo, o cheiro nem sempre é o mais agradável, os momentos mortos abundam e abusam, no entanto tem sempre aquelas pérolas que até nem tornam a coisa tão má como isso.

->Lá dizia o outro “antes a trabalhar que metido na droga” não digo que não, se bem que por vezes esta teoria é refutável...

sábado, junho 18, 2005

Semana do enterro

Ahhhhhhhh...

Uma saudosa espreguiçadela antes de prosseguir com este entusiasmante diário.

Bom vamos ao que interessa...

Segunda, dia 2 de Abril de 2005:

- Cabeça de cartaz: O bem-amado e pai de todos nós Quim Barreiros;

-Dj convidado: o “xôtor” Fernando Alvim;

- Por onde começar pergunto eu... de facto o cartaz hoje prometia ser o mais dado à paródia, mas porquê começar pelo fim...

O dia começou bem cedo ( aí por volta do meio-dia e picos ) e depois da habitual tachada no restaurante de sempre e do roço micósico imposto pelo médico, ao olhar para o sol e verificar que eram perto das duas da tarde ( não eu não andei nos escuteiros..), lembrei que me fora aconselhado previamente uns dias, a comparecer no centro de congressos porque não sei quê carro de curso e tretas desfile bla bla bla.. ( foi este o sumo que aproveitei da conversa ), lembrado isto pego na troucha, monto o cavalo e lá vai ele a galope até ao local de trabalho que me fora comunicado.

Chegado ao local de trabalho, reparo que via muita gravata e pouca nódoa na roupa, pensei, de mim para comigo, FOSTE ENGANADO OH TANSO! Bom, acontece que enganado não tinha sido, mas os dados foram um pouco imprecisos, vai daí recorro ao meu simples nokia 5210 patrocinado pela VODAFONE ( nº 914.. bah.. não queriam mais nada não?) e faço ali meia dúzia de telefonemas enquanto o Zé Castro metia de igual modo meia dúzia de tijolos na obra em que atrolhoava. Perto estava eu, aí a um quarteirão de distância, e chegado ao tão desejado local deparo me com e atenção, um local cheio de pessoas dialogando sobre eventuais projectos de construcção. Não me pareceu que houvesse alguma anormalidade até então, exceptuando o facto de não conseguir detectar vida ambientalistica. Olhei em volta e de facto nada. Esperei um pouco ( 15 minutos ) e lá me decidi a usar o móbil quando me dizem “ já vamos”. Ao se virem dizem-me de imediato “ que cena man, não estou equipada para me sujar vou ter que ir mudar de roupa a casa”, pois minha amiga de facto é chato mas não estavamos lá para ir às compras... Procedo eu então para uma nova chamada, para aquela a quem eu mais devo o facto de ter ido para ambiente ( só dei conta disto depois de a ter conhecido ), a minha (futura) madrinha de curso que quando interpelada pela situação a que foi sujeita me diz “ erm.. vou ver o que posso fazer digo-te já alguma coisa “; o tempo foi alegremente passando e isto quase hora e meia depois em relação à hora inicialmente prevista começa a chegar pessoal cheio de força e ideias para de facto se começar a fazer alguma coisa...

- O projecto:

- Confesso que tive uma ideia um pouco esquisita quando me foi esclarecido qual era a ideia do projecto para o nosso veículo, acho que se fosse a ilustrá-lo daria qualquer coisa como isto:



- Bom a partir daqui limitamo-nos a por as mãos à obra por isso vou avançar para a parte que interessa. A NOITE!

- Agora que falo da noite, acho que o mais complicado é mesmo lembrar-me como é que esta começou. Mas fazendo um pequeno esforço recordo-me que não metia o presidente da junta a distribuir dinheiro ( com algum lamento da minha parte ). De facto metia um tipo de entertenimento menos lúdico mas que de igual serve para passar algum tempo e sempre requer menos investimento: uma jogazinha de Unreal Tournament. Interessante dizeis vós por ventura, tristes deprimentes dirão outros, o que interessa é foi este o ponto de partida para a grande noite. Após algumas discussões sobre onde melhor colocar máquinas digitais por forma a apanhar as colegas de quarto em trajes menores ( ou mesmo sem qualquer traje J ) lá partimos nós em direcção ao recinto, desta feita sem a obrigatória paragem na praça do peixe.

- Atingido o destino ( ao som de Korn que se diga ) não faço ideia a que horas, para aí umas 23 e muitos, 00 e poucos ( afinal faço ideia ... ) , partimos em busca de algo que nos alegrasse a noite. Fomos então aprender a fazer ponto cruz. Ora o ponto cruz é uma coisa interessante se não vejamos:

O ponto cruz básico - primeiramente arremata-se a linha no tecido, e começa-se com movimentos debaixo para cima, fazendo posteriormente um carreira de ida até ao espaço indicado pelo macaco a ser bordado. De seguida inverte-se o movimento e prossegue-se o mesmo seguindo na direcção também inversa ( de cima para baixo ).

Podem conferir com o gráfico seguinte.

- Após este momento extremamente reconfortante e de cariz bastante pedagógico, damos por nós a ser assaltados por um grupo de brasileiras em tangas fluorescentes que nos apontam ameaçadoramente os seus voluptuosos seios equipados com uma recente dose do melhor silicone que se encontra pelo Brasil ( 1000$ = 36 D ) já para não falar nos pontiagudos túrgidos mamilos deveras a pedir uma trinca. O que elas queriam ninguém sabia mas o aparato também não deu para reparar em muito para além do aspecto das meleantes. Nada levaram apenas deixaram o desejo de... bom ok, ok.. por certo terão reparado que tudo isto é um bocado bom demais para ter acontecido ( e não falo das brasileiras ), o que realmente se passou ou não interessa a ninguém ou simplesmente nao me lembro. Recorri ao cartaz e reparei que estava lá algures a Magna Tuna Cartola ( ihey \o/ ) portanto adiante.

- Chega o grande momento, que é como quem diz, fomos “estacionar” lá bem para a frente por forma a podermos sentir com aquele entusiasmo que nos caracteriza, aquelas vibrações vibrantes que nos fazem vibrar. Desde o cheiro do bacalhau, passando pelas mamas da cabritinha, enfim fomos abençoados por todos aqueles doces que deixam qualquer criança de 18 anos e com uns copitos, feliz e com disponibilidade que chegue para dançar ( ou mesmo tirar fotos ) com qualquer dama que não se negasse a fazê-lo.

Foi um grande espectáculo que terminou com os clássicos “comboios” presentes nas festas populares portuguesas.

- Terminado o grande concerto da noite que a mim particularmente me deixou bastante cansado, eis que se seguiu a Cartola’s Band que eu pessoalmente não gosto ( não me perguntem porquê mas não estava com paciência para os aturar ), o que se reflectiu numa paragem momentânea para recuperar o fulgo e emborcar um pouco do nectar revitalizante.

- Para terminar a noite mais um grande nome no cartaz: Fernando Alvim. Quem não conhece este personagem..

Apresentou-se em força em palco, isto seriam aí umas 4 e qualquer coisa da matina e fez aquilo para que foi pago: passar música. Ora quem não está familiarizado com o trabalho desta amostrade adulto poderá pensar que provavelmente é só mais um. Desenganem-se se estão à espera de uma noite com boa música, bom lá terá os seus momentos, mas apostem na paródia confirmada pelas oscilações entre o techno e o pimba, pop ou até mesmo um bocado de rock. Esquisito ou não é uma questão de espirito.

- Falando da performance do artista, podemos começar por referir que estava altamente moralizado ( pronto.. os níveis de álcool no sangue é que eram elevados ), não deixando também de ser oportuno dizer que o homem completava aí uns 30 anos ( ou perto disso ),

- Não eramos muitos a curti aquele grande som, até o majestroso Dj se lembra de tirar a t-shirt. Curioso ou não e por muito que seja coincidência, ( a menos que eu estivesse distraído ) reparei que houve um aumento do espaço disponível no terreno de dança ( o mesmo é dizer que o povo fugiu qual Marias Madalenas). Bom tendo em conta o nível de sinceridade que eu tenho com o leitor, vou contar aquele que foi sem dúvida um dos episódios mais estranhos que se passou na minha miserável vida, se não vejam: não tenho a certeza se era Prodigy que estava na altura a passar, mas eu estava ao rubro. Vai daí que já possuído pela música, sou possuído por trás por alguém que fez o favor de me acompanhar em movimentos que eu considerei deveras agradáveis ( e agradáveis eram também as amigas que roçavam de forma quase bruta nas minhas costas ), nisto ia me eu virar para ver com quem estava eu a ter o prazer de partilhar a noite, quando a mesma se me desaparece e tenho uma visão menos agradável, a de um indivíduo embriagado que se aproxima de mim e me diz “ Eu também gostava de ter umas mamas daquelas a roçar em mim..” ora bom, confesso que fiquei estupificado durante uns bons 5 minutos e a pensar no que é que se tinha passado por ali.

- Até às 6 da manhã foi sempre a “malhar”, com uma ligeira paragem para entoar “ os parabéns” ao aniversariante. Dei saída do recinto seriam aí seis e qualquer coisa, já de dia, e já sem esperança que um autocarro qual cavaleiro andante por lá parasse para nos dar boleia. Iniciei marcha junto com um companheiro ( abraço p’ró Fonseca ) e fomos nós, se não quando o tal salvador passa por nós. Sem forças para arrepiar caminho seguimos desamparados numa viagem de cerca de uma hora a pé. Chegado a casa, pensei por momentos que me tinha equivocado no quarto, isto porque estava lá uma rapariga ( acompanhada do namorado, mas também não interessa ) e a modos que não liguei pívia ao cenário e fui me deitar...

- Momentos altos – O tio Quim e o Alvim não desiludiram antes pelo contrário.

- Sensor-aranha – Leves vibrações mas a tristeza do costume.

Aí está mais um capítulo relatado.. espero que gostem.. por certo estas coisas demoram tempo.. mas dentro em breve (...) colocarei mais qualquer coisa.. entretanto tenham uma boa vida ;)


domingo, maio 08, 2005

Ora como eu me engano... quando tempos atrás me referi “ aos meses em que tudo acontece” por certo estava longe de imaginar no que eventualmente se poderia suceder neste mês que ainda nem acabou...

Confesso que este foi sem dúvida um dos melhores meses da minha vida e todo ele foi perfeito à excepção de alguns pormenores que relatarei adiante.

Vou começar talvez por começar por falar de algo pouco ético a meu ver... o enterro das gatas. E diz-me o caro leitor “ó meu animal lá porque tu na altura vias duas gatas era só uma, vê lá se acordas pá vida!”. Pois bem falo de gatas ( mas escrevo sentado... ) porque não me limitei à muy nuebre, porem um pouco pobre, gata de aveiro e fui ver como é que andavam as gatas por Braga ( e que belas gatas... ).


Por forma a não tornar isto muito maçudo vou fazer assim tipo quando estavamos em alturas do Euro. Eu vou ter o meu próprio diário do enterro ( confesso que era um desejo que sempre tive desde puto, mas não tinha dinheiro para canetas e desta forma não gasto tinta).
Não deixa de ser estúpido chamar lhe diário, visto que devia este texto deveria ter sido escrito diariamente e não passados uns dois ou três dias. O problema? Já não me lembro de metade do que se passou, não se pense que foi por ter estado bêbado, prefiro pensar que simplesmente tenho má memória.


O DIÁRIO DO ENTERRO DA GATA EM AVEIRO 2005 ( aposto que não estavam à espera de um título tão original...)

Sábado Dia 31 de Abril de 2005:

- Cabeças de cartaz : Xutos e Pontapés.
- Restantes bandas/ Djs: não interessa ninguém os conhece.

- Foi um dia interessante, foi a um sábado, de resto este foi o primeiro fim-de-semana que passei em Aveiro e como tal o primeiro fim-de-semana que estive na famigerada praça do peixe. Tenho que expressar total desilusão no sentido em que nós em Vale de Cambra temos mais PiTaS! E quero também endereçar um AVÉ a todas as PiTaS desse país. O que é que se retira daqui? O fim-de-semana em Aveiro é menos colorido... Adiante.

- Após dizermos adeus à Super Bock ( sim porque a partir desse momento fomos, qual mártires ( abraço pa esse maluco ;) ), “obrigados” a beber Tagus, a bebida oficial do enterro. E digo obrigados porque não íamos obviamente ficar secos a noite toda.

- Entretanto uns badamecos quaisquer tinham estado a tocar “música”, e eis que se aprochega ( não sei sequer se esta palavra existe mas gosto e eu é que mando ) o tão aguardado momento: os XUTOS! Não me lembro da maior parte do alinhamento dessa noite, apenas me lembro que não conhecia mais de metade das músicas, não querendo dizer que não se tivesse curtido, simplesmente ou saltavamos feito animais e grunhiamos ( para fazer de conta que até sabiamos a letra ), ou “moshavamos” quais borboletas sobre o efeito de drogas muito esquisitas ( digamos que não chegava bem a ser moshe pois não tavamos numa de agressividade).

- Momentos altos do concerto: provavelmente os classicos “a minha casinha”, “à minha maneira”, o último single deles.. ( aquele que mete o coração a cair e parte e essas chinesices, digo eu que para esses casos a porcelana não é aconselhável ... que raio estou para aqui a dizer). O grande espirito que se fazia sentir entre os presentes, as vozes erguendo-se em uníssono para uma só causa: o abaixamento das propinas!.. ou então estavamos só a cantar as músicas, não interessa de qualquer maneira.

- Como terminou a noite? Ora bom, digamos que há coisas que não são fáceis de lembrar. Neste caso... lembro-me ( J ), o pouco povo que restava decidiu ficar até as 6 e tal a curtir o som para ver se gastava as réstias de álcool que perduravam no sangue ( álcool esse que no dia a seguir se sente ( pelo menos a falta dele ) na medida em que nos deixa uma amarga recordação no pensamento ( ou simples dores de cabeça, tonturas, alguns ainda “gregam”, enfim uma festa... ).

- Sensor aranha? Avariado...

------------------------------------------------------------------------------------------------************************************************************************************
------------------------------------------------------------------------------------------------

Domingo dia 1 de Abril de 2005:

- Cabeça de cartaz: Jorge Palma ( oh my god que piadético);
- Restasntes bandas/Dj’s: mais um molho que ninguém conhece portanto avança-se;

- Gostava de poder partilhar consigo como é que este dia começou... isto se eu próprio me lembrasse. Julgo dar por mim a almoçar algures, num sítio com mais gente à minha volta o que deve ser bom sinal julgo eu. O resto do dia foi bastante excitante, se não vejam o que fiz, andei a passear cães, mudar a fralda a crianças e ajudei velhinhas a atravessar a estrada.

- Quanto ao início da noite deu-se no local do crime do costume, a praça do peixe com a habitual companhia da loira do costume. Seguidos para a também costume paragem d’ autobus, aproveito já agora para referir a parvalheira das mesmas, visto que era seguido um ritual um tanto ao quanto desprovido de racionalidade, se não vejam: imaginem 1500 pessoas à espera do transporte. Chega o transporte e 1400 dos mamíferos acama-se, eis que nem 2 minutos depois chega sempre um segundo autocarro completamente vazio prosseguindo o restante gado com a largueza proporcional ao tamanho do veículo disponível, o que no leva à priore a concluir ... deixo à larga do leitor, não me apetece concluir nada, até porque estou com vontade pa continuar a escrevir.

- Entrada no recinto sem grandes expectativas quanto à noite, de resto foi a noite menor assistência ( não que tenha havido alguma com grande enchente ), seguiu-se de imediato para o habitual altar no sentido de obter a purificação dos nossos males... a sede, e a inibição causada pela mesma. Não era dificil de facto atingir um qualquer local de culto que nos facultasse o suco divino, mas agora vou fazer uma pausa para falar de algo que nos toca a todos:

E quem é que nunca ouviu falar na chamada barriga de cerveja tão caracteristica no típico tuga? Ou quem é que nunca ouviu falar naquela celulitesinha provocada pelo chocolate na típica tuga?

Pois bem é aqui que entra um pormenor que eu achei deveras curioso e de resto agradável que consiste no facto de um desses templos de oração juntar o útil ao agradável e ao tempo que providência a oportunidade ao povo de ganhar aquela barriguinha também permite que os mesmos ganhem aquela bunda alargada isto tudo pelo mesmo preço. No fundo é só uma forma de as pessoas poderem justificar a má forma em que se encontram “ ai e tal eles é que impingem estas dietas à base de cerveja e chocolate.. sou só uma vítima desta sociedade”;

- Baixas expectativas quanto ao concerto e se à partida não se esperava muito, quando noticiado o suposto estado de inebriedade do artista então as coisas descambaram por completo... até ter começado o espectáculo. Porquê pergunta o paciente leitor, bom digamos que até à terceira música, altura em que se sentou ao piano, o artista foi o que normalmente se parece com.. um artista, o que de seguida se assistiu revestiu-se por certo de alguma comicidade, isto porque o senhor Jorge Palma andou aos papéis ( digamos que pegou nas partituras, andou à procura de alguma coisa mas a única que conseguiu foi deitar as folhas todas ao chão ) um outro episódio deveras cómico foi quando o mesmo após uns dez segundos a olhar para uma folha concluiu brilhantemente “ oops isto está ao contrário “...

- Numa fase em que já se ia a meio do concerto dá-se me uma vontade súbita de fazer algo que ninguém na altura ( nem actualmente ) podia fazer por mim e bem que me emancipo do recinto em que me encontrava para junto da melhor invenção de qualquer acontecimento festivo público. O Toi-Toi. Local de recreação, lazer, ou para espetar uma simples cagadela, o toi-toi proporciona momentos de prazer únicos, orgásmicos ou simplesmente aliviadores, no meu caso específico e no momento em que tal acontecimento se sucedeu, limitei-me a tentar dominar aquele animal que nos possui em épocas em que a bexiga está perto do rebentamento ( caso não tenha percebido o texto acima descrito, digamos que fui urinar ).

- A noite estava da pinta, grande animação, se não que nos dá para ver como andavam as sá-cristãs ali da zona. Iniciamos a ronda e pouco depois demos por nós num local qual confessionário com inversão de papeis, que digo eu? Bom como dizer isto sem ferir susceptibilidades. Inicialmente começamos por falar dos nossos pecados, as quedas em tentação, as injúrias ao próximo, enfim nada de muito extraordinário, e eis que por fim somos sujeitos à penitência: pela módica quantia de um euro cada eu e um caríssimo colega fomos sujeitos a um felácio proporcionado pela sá-cristã. Se por ventura o imaculado leitor ficou chocado ao ler estas palavras, dissuadua-se dessa ideia pois o felácio acima referido não passou de uma simples bebida com teor alcoólico elevado...

- Momentos altos da noite? Apenas aquilo que referi, nao creio que tenha havido nada mais entusiamante que isto...

- Como terminou a noite? Agarrado a uma sandes de chouriço e à espera do autocarro ... ( agora que me lembro não havia sandes de chouriço nenhuma, peço desculpa pela imprecisão do meu comentário). Foi a noite que acabou mais cedo, julgo ter abandonado o barco pelas 5 e qualquer coisa da matina o que de si diz da porcalhota que lá foi nessa noite. Valeu que outras noites superaram esta... just wait for them...

- Sensor Aranha: estranhamente continuava avariado.

-----------------------------------------------------------------------------------------------
*,* Bom para já vou vos poupar ao resto do testamento J espero que estejam a gostar, brevemente colocarei o resto ( quando estiver escrito muito obviamente ) deste que tem sido um mês de loucuras. Quanto a fotos... quando eu próprio as tiver, poderei disponibilizá-las. Um bem haja a todos vós e sem mais assunto e até uma breve e próxima oportunidade,

Pedro Almeida.